Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Noite sensível
Ontem, por volta das dez da noite, depois de um dia insensível de trabalho, experimentei levar meu corpo para caminhar sobre a areia da praia. Quem sabe sentar num banco de calçada e ler um pouco sob a luz forte de algum poste, ouvindo sem perceber as ondas incansáveis. Fazia um calor residual do dia que chegou a 40 graus. O céu no horizonte do mar estava cada vez mais escuro. Começou a ventar forte e não demorou a chuva cair. Caminhei mais um pouco sobre a areia morna e desajeitada, sentindo sobre mim a noite cada vez mais escura e o início da chuva, cujas gotas grossas e espaçadas eram sorvidas pela areia sedenta. Eu não estava tranqüilo com os relâmpagos e trovoadas insistentes. Já não conseguia ouvir o som orquestrado, porém solitário, das ondas. Resolvi voltar para casa. Caminhei para o lado oposto ao mar e deixei a areia para trás. A calçada já estava espelhada. Joguei os chinelos no chão e enfiei neles os pés molhados e carregados de grãos de areia. Com os primeiros passos, senti que as tiras dos chinelos prensavam os grãos molhados de areia nos peitos dos meus pés. Pareciam duas tiras de lixa grossa. Andei pelas calçadas e ruas enfiando os pés em cada poça de água que encontrava, na tentativa de tirar deles a areia. A água de algumas poças estava quente e suja. A areia não desgrudava dos peitos de meus pés já quase feridos. A camisa pesou de água fria da chuva e começou a colar no meu peito quente. Incomodado, eu puxava-a com os dedos da minha mão esquerda em forma de belisco e segurava-a, por alguns passos, descolada do peito na região do coração. Resolvi tirar os chinelos e sentir o chão molhado, as poças de água morna e as correntezas de enxurradas sujas. Resolvi também tirar a camisa e deixar a chuva resfriar meu corpo. Sentia a água escorrer pelos meus cabelos e testa corpo abaixo. Nada em mim ficou seco. Ouvia diferentes sons da chuva dependendo de onde ela caia. Cheguei em frente ao prédio onde moro. Abri calmamente o portão. Pulei um pouco para cair o grosso da água do corpo sobre um tapete externo, na frente da porta de vidro do hall de entrada. Entrei. Pensei sobre molhar todo o piso da escada e corredor. Cheguei em frente e abri a porta do apartamento. Entrei direto para a área de serviço. Despi-me por completo. O ambiente do apartamento aquecia minha pele agradavelmente. O livro Contos Escolhidos de Machado de Assis ficou todo molhado, mas recuperável. A noite foi sensível.
Terça-feira, Outubro 20, 2009
Gestos de amor
Domingo, Setembro 13, 2009
Sangue
Senti dor no toque da brisa
No corpo avesso em coração.
Machucado pelo amor cego
a tudo que sempre foi não.
No corpo avesso em coração.
Machucado pelo amor cego
a tudo que sempre foi não.
Segunda-feira, Dezembro 22, 2008
Verão
Entrei no verão, hoje de manhã, pela porta aberta da praia.
O sol era prisioneiro das nuvens.
Decidi pegar o caule morto de rosa.
Somente os espinhos pareciam vivos.
Levei-o até a beira da área reservada para a vegetação rasteira da praia.
O sol era prisioneiro das nuvens.
Faltava-lhe liberdade para iniciar a sua exibição nas primeiras horas de sua estação.
Cena de ciúmes.
Eu espiava tudo com o rabo dos olhos.
Eu espiava tudo com o rabo dos olhos.
Era o amor do sol com as nuvens.
Andei pela areia úmida por mais de uma hora.
Cansei.
Parei para dar um mergulho.
Caminhei contra as ondas que chiavam naquele vai-e-vem conhecido.
Enfiei meu corpo inteiro na água, que não estava tão fria.
Saí junto com a liberdade do sol, que acabara seu amor com as nuvens.
Saí do banho de água para tomar banho de sol.
Ao meu lado, poucos metros a minha esquerda, uma criança brincava com as ondas, de mãos dadas com a mãe.
Voltei para a parte mais seca da areia.
Desviei de restos de uma ave morta, cujas penas balançavam com o vento.
Andei pela areia úmida por mais de uma hora.
Cansei.
Parei para dar um mergulho.
Caminhei contra as ondas que chiavam naquele vai-e-vem conhecido.
Enfiei meu corpo inteiro na água, que não estava tão fria.
Saí junto com a liberdade do sol, que acabara seu amor com as nuvens.
Saí do banho de água para tomar banho de sol.
Ao meu lado, poucos metros a minha esquerda, uma criança brincava com as ondas, de mãos dadas com a mãe.
Voltei para a parte mais seca da areia.
Desviei de restos de uma ave morta, cujas penas balançavam com o vento.
Era um pedaço de corpo magro, com algumas moscas ao redor.
O mar não queria aquele corpo.
Também fingi ignorá-lo.
Sentia o sol aquecer meu corpo
Mais na frente, sobre a areia irregular, vi um ex-botão de rosa largado.
Era um caule fino, verde-seco, cheio de espinhos.
O mar não queria aquele corpo.
Também fingi ignorá-lo.
Sentia o sol aquecer meu corpo
Mais na frente, sobre a areia irregular, vi um ex-botão de rosa largado.
Era um caule fino, verde-seco, cheio de espinhos.
Na sua ponta via-se o lugar onde, algum dia, pétalas de rosa haviam florescido.
Decidi pegar o caule morto de rosa.
Somente os espinhos pareciam vivos.
Levei-o até a beira da área reservada para a vegetação rasteira da praia.
Deixei-o ali, com carinho, bem ao lado do jardim.
Pensei nas pétalas de rosa que haviam se afogado.
Pensei nas pétalas de rosa que haviam se afogado.
Quarta-feira, Outubro 01, 2008
Dor
Chumbo líquido incandescente,
que me lambe lentamente
e fere, silenciosamente,
a minha carne viva.
Viaja por dentro do meu peito,
invade o meu coração,
circula junto com meu sangue
e aguda a dor de minha solidão.
Insuportáveis
Dores vermelhas
de saudades.
Saudades
de viver
mergulhado
num mar
de prazer.
Saudades
de acariciar,
à luz da lua cheia,
os poros arrepiados
de seios bicudos.
Saudades
de beijar,
em ritmo de valsa,
os veios molhados
de lábios inchados.
Saudades
de falar,
que me lambe lentamente
e fere, silenciosamente,
a minha carne viva.
Viaja por dentro do meu peito,
invade o meu coração,
circula junto com meu sangue
e aguda a dor de minha solidão.
Insuportáveis
Dores vermelhas
de saudades.
Saudades
de viver
mergulhado
num mar
de prazer.
Saudades
de acariciar,
à luz da lua cheia,
os poros arrepiados
de seios bicudos.
Saudades
de beijar,
em ritmo de valsa,
os veios molhados
de lábios inchados.
Saudades
de falar,
sem voz,
do prazer
de ser
do prazer
de ser
seu amor.
Segunda-feira, Setembro 15, 2008
Fugaz
Fugi com pressa,
Fugi com pressa,
antes de mais tempestades,
sangrentas e lacrimejantes,
que iludiram nossos corpos amantes
com prazeres adolescentes e errantes.
Fugi, com pressa,

antes de me afogar num mar
de nada enganado de tudo,
de nada enganado de tudo,
por abraços aquecidos,
porém frágeis e
perdidos.
Fugi com pressa,
antes de culpar meus olhos embaçados,
ou minha cegueira induzida,
pelos mistérios camuflados
porém frágeis e
perdidos.
Fugi com pressa,
antes de culpar meus olhos embaçados,
ou minha cegueira induzida,
pelos mistérios camuflados
de uma vida escondida.
Fugi com pressa,
antes de mais tempestades,
sangrentas e lacrimejantes,
que iludiram nossos corpos amantes
com prazeres adolescentes e errantes.
Fugi, com pressa,
de um ser blindado,
que escolheu ser somente seu,
que também foge, com pressa,
para ficar só com seu eu.
Fugi, com pressa,
de um ser diferente,
que só amava,
intensamente,
que escolheu ser somente seu,
que também foge, com pressa,
para ficar só com seu eu.
Fugi, com pressa,
de um ser diferente,
que só amava,
intensamente,
o desejo de me amar.
Segunda-feira, Julho 21, 2008
Imaginação
Noite de inverno tropical e lua cheia.
Deitados de lado, emparelhados com nossos corpos em concha.
Seu quadril mais alto aconchegado em uma de minhas mãos.
Suas costas nuas procurando abrigo no calor do meu peito.
Meus dentes ameaçando mordidas na sua cervical aguda.
Não pude deixar de imaginar o que estaria apertado entre as partes internas superiores de suas pernas depiladas.
Quando eu era criança, entre a segunda infância e a adolescência, tinha em mente que os homens casados dormiam penetrados nas entradas avermelhadas e bem molhadas de suas mulheres a noite inteira. Também pensava que as mulheres casadas eram como mulheres vadias de seus maridos na cama. Inocentes, porém perturbados, desejos infantis.
Veio na minha mente penetrar em você assim de lado, tomando chá bem quente de camomila no sofá, e dormir ali dentro de você a noite inteira.
Certamente não resistiria se você mexesse seus quadris para, quem sabe, acomodar-se melhor no curso do sono profundo.
Seria fatal sentir a pele de seus quadris deslizando-se em minhas mãos espalmadas e assistir seus glúteos roçando minhas virilhas.
Gritaria sufocado pelo prazer de chorar na sua carne encharcada como se estivesse morrendo afogado no pântano de seu muco espumante.
Involuntárias contrações.
Uma sensação de suicídio intermitente.
Seria salvo do fim pelo beijo bêbado de seus lábios tortos.
Deitados de lado, emparelhados com nossos corpos em concha.
Seu quadril mais alto aconchegado em uma de minhas mãos.
Suas costas nuas procurando abrigo no calor do meu peito.
Meus dentes ameaçando mordidas na sua cervical aguda.
Não pude deixar de imaginar o que estaria apertado entre as partes internas superiores de suas pernas depiladas.
Quando eu era criança, entre a segunda infância e a adolescência, tinha em mente que os homens casados dormiam penetrados nas entradas avermelhadas e bem molhadas de suas mulheres a noite inteira. Também pensava que as mulheres casadas eram como mulheres vadias de seus maridos na cama. Inocentes, porém perturbados, desejos infantis.
Veio na minha mente penetrar em você assim de lado, tomando chá bem quente de camomila no sofá, e dormir ali dentro de você a noite inteira.
Certamente não resistiria se você mexesse seus quadris para, quem sabe, acomodar-se melhor no curso do sono profundo.
Seria fatal sentir a pele de seus quadris deslizando-se em minhas mãos espalmadas e assistir seus glúteos roçando minhas virilhas.
Gritaria sufocado pelo prazer de chorar na sua carne encharcada como se estivesse morrendo afogado no pântano de seu muco espumante.
Involuntárias contrações.
Uma sensação de suicídio intermitente.
Seria salvo do fim pelo beijo bêbado de seus lábios tortos.
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